PROJETO O CINEMA CHAMA POR TI!

 

UM FILME PARA ALUNOS ADULTOS

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”

(citado do “Livro dos conselhos”, de El-Rei Dom Duarte)

                                                                          José Saramago

No dia vinte e três de maio, no âmbito do Projeto O Cinema Chama Por Ti! em parceria com a Biblioteca Escolar e o ProjetoNa Senda dos Contos, realizou-se uma sessão de cinema, especialmente preparada para os alunos do 12º ano.

Pretendia-se que os alunos tivessem acesso a uma outra obra de José Saramago para além daquela que atualmente faz parte do currículo do 12º ano, de leitura obrigatória – “O Ano da Morte de Ricardo Reis”. A coordenadora do referido projeto, Cristina Freitas, selecionou Blindness, um filme baseado no “Ensaio sobre a cegueira”, que em 2008 foi produzido pelo Japão, Brasil e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles.

Na sequência do visionamento do filme, os alunos foram desafiados a escrever uma apreciação crítica, no sentido de os estimular a olhar para a tela de uma forma mais profunda e reflexiva. Além disso, porque ver um filme não é a mesma coisa que ler um livro, a coordenadora decidiu entregar um prémio, o livro que deu origem ao argumento do filme exibido, ao aluno que escrevesse a melhor apreciação crítica.

O vencedor deste desafio foi o aluno Luís Barreiros,da turma 12º A, cujo texto transcrevemos:

Baseado num romance de José Saramago com o mesmo título, “Ensaio sobre a cegueira” apresenta uma realidade em que uma cegueira, branca e aparentemente incurável, se propaga como uma epidemia. Abrindo o festival de cinema de Cannes, este filme inclui as representações de Julianne Moore e Mark Ruffalo sob a direção de Fernando Meirelles.

O enredo começa a desenvolver-se à medida que a cegueira se vai propagando e a comunidade médica, os dirigentes políticos e a sociedade em geral vão ficando progressivamente mais receosos. Em consequência desse receio, os primeiros doentes são postos em quarentena num velho hospital psiquiátrico abandonado e deixados sem qualquer auxílio externo. Contudo, junto dos pacientes cegos, encontra-se a esposa de um oftalmologista que, ao contrário do marido, não ficara cega. A situação no hospital complica-se após a chegada de mais doentes, provocando momentos de grande tensão, violência e exploração dos doentes mais frágeis. É nesses momentos que a representação dos atores se torna única e realista.

Na minha opinião, o visionamento deste filme é imperdível, pois reflete sobre a cegueira não só física, mas também, e sobretudo, sobre a cegueira social, de valores e de consciência.

Poema vencedor do Concurso de Poesia (escalão A)

Pai

 

…teus olhos brilham de amor,

como amoras a olhar-me

ou estrelas de ouro a iluminar-me;

 

…tua mão é algodão que me mima;

… teus dedos, ora raios de sol que me aquecem,

ora minhocas de riso a brincar;

 

… teu tronco é a cama mais macia

onde descanso;

 

…tuas costas, o melhor trampolim para saltar (vuuuuuuuuuuuuuu!);

 

… teus braços são os ramos que melhor me abrigam;

 

… tuas pernas, os mais fortes postes de baliza (de tijolo!);

 

… teus pés, as raízes seguras do meu colo,

raízes seguras do meu solo.

 

Pai…

… Amo-te

 

Poema coletivo da turma JI2 da EB1/JI de Ribes

Escritor e professor da Faculdade de Ciências da UP dinamiza palestra na EBS de Canelas

É já na próxima 4ª feira, dia 5, das 11: 15 h às 12 horas, no grande auditório, que o escritor e professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Drº João Paiva, vai promover uma palestra intitulada “Comunicar ciência: da profundidade do mar à química das coisas”, destinada aos alunos do 9º ano e de 10º ano (cursos científico-naturais). Esta é uma atividade conjunta do Departamento de Ciências Exactas, do grupo de Físico-Química e da Biblioteca Escolar.

O Drº João Paiva é professor Associado no Departamento de Química e Bioquímica e membro da Unidade de Ensino das Ciências da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. É agregado em Didática. É coordenador do núcleo de “Cultura Científica, Multimédia e Educação” do Centro de Investigação em Química da Universidade do Porto. É diretor do Doutoramento em Ensino e Divulgação das Ciências. É autor de cerca de 30 livros, uma vintena dos quais são manuais escolares. Coautor ou autor dos livros Porque Pirilampiscam os pirilampos (Gradiva, 2014), Ensino Experimental das Ciências – Um Guia para Professores do Ensino Secundário (Editora UP, 2012), Quase poesia quase química (SPQ, 2012), Educação, Ciência e Religião (Gradiva, 2010), Este Gesto de Ser – poesia (Sagesse, 2010), Fascínio de ser professor (Texto Editores, 2007) e Sexualidade e Afectos (Plátano, 2002). O seu principal interesse situa-se nas relações da ciência com outras áreas do saber, nomeadamente com poesia, filosofia, religião, divulgação, sociologia e educação. É membro da Comunidade de Vida Cristã (CVX).

Um encontro feliz com Joel Neto e a sua escrita

Foi com um enorme prazer que recebemos a visita do escritor terceirense Joel Neto. Tivemos o privilégio de conhecer as obras e autores que mais o marcaram enquanto leitor ao longo da sua vida e de o escutar a respeito do processo de leitura e da escrita, das suas obras e dos seus projetos, das suas convicções e ideias. Uma sessão de autor excepcional e do manifesto agrado de todos. As questões colocadas pelos alunos foram inúmeras durante os 90 minutos deste encontro com o escritor.

Joel Neto é autor de vários livros, entre os quais Arquipélago, best-seller, A vida no campo, porventura a sua obra mais popular, Meridiano 28 e do seu mais recente livro, A vida no campo: os anos da maturidade. Num périplo pelo país para o lançamento desse livro de crónicas, dando continuidade ao anterior e magnífico livro “A vida no campo”, que é um diário do seu regresso à terra e às raízes, à sua simplicidade e encanto, esta obra  reúne as crónicas por si publicadas no jornal Diário de Notícias e que se afigura já como um grande sucesso. A Biblioteca conta já com várias obras do autor para requisição!

Joel Neto é um escritor de escrita escorreita e límpida, na qual o leitor é conduzido numa viagem onde prevalecem pequenas e grandes descobertas, numa narrativa plena de gentes e lugares singulares e de palavras cristalinas que nos deixam implicados na leitura.

É um excecional contador de histórias e nas suas obras tudo é descrito com transparência, clareza e detalhe, o que faz com que muitas vezes o leitor, até pela familiaridade dos locais e gentes, se torne quase uma personagem da narrativa.

Há escritores que são um deleite na escrita e na oratória: Joel Neto é um deles. É além disso uma pessoa simples e com visíveis qualidades que faz com que nos aproximemos de si e da sua escrita.

Agradecemos a sua presença e desejamos-lhe a continuidade do sucesso literário e pessoal que merece.

Este encontro foi também um reencontro de amigos, de cumplicidades e de amor à Ilha Terceira.

Até um dias destes na biblioteca da EBS de Canelas ou num outro qualquer lugar ou caminho da Terceira.

Joel Neto na EBS de Canelas

Citação

É já amanhã, dia 30, pelas 11:15 horas, que terá lugar no grande auditório uma sessão literária com o escritor Joel Neto, um dos grandes nomes da atual literatura portuguesa.
Dado o interesse cultural deste evento, aproveitamos para convidar todos a comunidade para esta sessão literária.

Joel Neto (n. 1974) é um romancista e colunista português. Escreveu uma dúzia de livros dos mais diferentes géneros e começou por atingir os tops de vendas nacionais com Arquipélago (romance, 2015) e A Vida no Campo (diário, 2016), ambos igualmente bem acolhidos pela crítica. O seu mais recente romance, Meridiano 28, foi editado na Primavera de 2018, com a chancela da Cultura Editora, e não tardou a destacar-se também crítica e comercialmente.
«Será difícil, e talvez inútil, rotulá-lo quanto à sua filiação literária, tanto nos Açores como no continente», escreveu João de Melo, autor de Gente Feliz Com Lágrimas e O Meu Mundo Não É Deste Reino. «A única evidência, e sobretudo a mais natural, é a da sua pertença à grande literatura portuguesa. Ponto final.»
Joel Neto nasceu na ilha Terceira, nos Açores, e mudou-se para Lisboa aos 18 anos, para estudar Relações Internacionais no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Depois de década e meia de trabalho como repórter, editor e chefe de redação na maior parte dos grandes jornais e revistas portugueses, voltou à ilha natal em 2012, determinado a dedicar-se inteiramente à literatura.
Vive desde então no lugar dos Dois Caminhos, freguesia da Terra Chã, na companhia da mulher, a tradutora Catarina Ferreira de Almeida, e dos dois cães. Aí, tem uma horta, um pomar, um jardim de azáleas e toda uma panóplia de vizinhos de modos simples e vocação filosófica.
Colunista de alguns dos principais jornais nacionais, nomeadamente Diário de Notícias e O Jogo, publica regularmente em revistas e antologias literárias portuguesas e estrangeiras. Tem livros e contos traduzidos e/ou publicados em países como Reino Unido, Espanha, Itália, Polónia, Brasil ou Japão. O seu diário, A Vida no Campo, foi adaptado ao teatro pela Companhia Narrativensaio, num espectáculo que percorreu o país.

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