Mobilidade Erasmus – Projeto da Biblioteca Escolar

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Teve lugar de 6 a 10 de dezembro uma mobilidade Erasmus enquadrada no projeto da biblioteca escolar intitulado “School libraries promoting readers, values, literacies, skills and inclusion”, que teve como objetivo principal o intercâmbio e a partilha de boas práticas, reunindo quinze alunos e dez professores de Itália, Grécia, Polónia e Portugal.

Ao longo de toda a semana decorreram atividades de caráter educativo e cultural, centradas na leitura, na dinâmica das bibliotecas escolares e na temática do holocausto, tópico que denota a necessidade da educação permanente para os direitos humanos. Logo no primeiro dia, os alunos e professores participaram num evento de receção promovido pela equipa da biblioteca escolar e que contou com a presença do Diretor do Agrupamento, o qual proferiu palavras pertinentes sobre o Erasmus e a sua importância para a educação e na formação pessoal e cívica dos nossos alunos.

Os alunos da equipa Erasmus portuguesa, Íris Ferreira, Sofia Barbosa e Lucas Silva, do 9º A, deram as boas-vindas aos nossos convidados e apresentaram, num inglês perfeito, todos os momentos especiais da referida cerimónia.

Seguidamente, os alunos do Clube de Música da docente Paula Campos e os respetivos discentes do 5º B, em conjunto, cantaram “Welcome” – uma canção de boas-vindas e “Menina Estás à Janela” – canção tradicional portuguesa, popularizada por Vitorino Salomé. Logo de seguida, de modo a lembrar a importância da União Europeia e do programa Erasmus +, o professor Carlos Silva ao trompete, acompanhado pela docente Paula Campos ao piano, tocaram a peça musical “Ode à Alegria” – tema do 4º andamento da 9ª sinfonia de Beethoven (Hino oficial da União Europeia). Foram momentos de especial emoção e que reforçaram os laços de amizade entre os parceiros europeus presentes.

Ainda na referida cerimónia de acolhimento, os alunos do Clube de Línguas da nossa escola, coordenado pela professora Ana Paula Borges, e liderado pelos alunos Alice Baião, Cristina Matos, Cátia Santos, Henrique Astorga e Rui Carvalho, dinamizaram a atividade intitulada “As faces da esperança”. Na sua aprentação/dramatização mostraram duas faces da esperança no mundo por intermédio de dois ilustres portugueses: Aristides de Sousa Mendes e Fernando Pessoa, ambos representados em cena por dois alunos, dramatizando com enorme mestria essas grandes figuras portuguesas.

Ainda no decurso da mesma manhã, os alunos realizaram um “Kahoot”, elaborado em modo colaborativo pelos quatro países do projeto, sobre o livro “O rapaz do pijama às riscas”, que deu nome a esta mobilidade de Portugal, já que cada encontro entre alunos e professores obedece, conforme estipulado no nosso projeto Erasmus, à leitura e preparação de um dos livros selecionados sobre o tema do holocausto (“O Diário de Anne Frank”, “Os meninos que enganavam os nazis” e “O Atelier de sonhos”). Os alunos do Clube de Inglês proporcionaram ainda um “bingo humano”, atividade que se mostrou importante para quebrar o gelo entre os alunos e criar uma boa atmosfera.

Já da parte da tarde, as docentes Rosário Sá e Alice Loureiro ofereceram um workshop de azulejaria portuguesa. Esta atividade teve como intuito apresentar aos alunos e docentes estrangeiros a riqueza do património português, no caso em particular, o azulejo. Todos puderam ilustrar um ou mais azulejos, com a orientação e mestria das docentes portuguesas, seguindo algumas propostas criativas ou dando asas à sua imaginação. Após passagem posterior pela mufla, foram mais tarde entregues aos alunos e docentes os respetivos azulejos por si produzidos, evidenciando enorme contentamento com o produto final produzido.

Na terça-feira, o dia foi passado na cidade do Porto, em visitas a museus. Da parte da manhã, no edifício da Alfândega do Porto, o grupo Erasmus assistiu a dois eventos, nomeadamente, “Fabulous Christmas circus” e “Porto Legends”, neste último tiveram a oportunidade de conhecer, por via de um espetáculo virtual imersivo, a cultura e história da cidade Invicta.

Após uma visita guiada pela Boavista e a sua maior avenida, pese embora o mau tempo que se fez sentir, o grupo teve oportunidade de passar pela faixa litoral junto ao Castelo do Queijo e por toda a Foz, regressando ao local de partida. Já aí, da parte da tarde, os alunos e professores visitaram o Museu das Descobertas, conhecendo com detalhe os descobrimentos e a expansão portuguesa. A visita revelou-se de enorme agrado para todos e teve momentos únicos que ficarão para sempre na memória.

A quarta-feira, dia 8, feriado nacional, foi um dia em que os alunos estrangeiros passaram o dia com as famílias de acolhimento. Cada família definiu livremente o programa para esse dia, com visitas pelo Porto e Gaia, constando-se que a experiência gastronómica da francesinha foi deveras comum.

Na quinta-feira, dia 9, o grupo deslocou-se a Guimarães, acompanhado pela guia profissional Marta Villares que nos proporcionou uma visita detalhada e enriquecedora pelos monumentos e ruas desta cidade património mundial da Unesco. Graças à colaboração da docente Ana Cristina Ribeiro, que nos disponibilizou vestuário utilizado no Canelas Medieval, o grupo foi vestido a rigor da época medieval para as visitas ao Castelo, Igreja e Paço Duque de Bragança, aqui com a participação num workshop de dança muito divertido, requerido pela escola.

Da parte da tarde, visitou-se o Museu Alberto Sampaio e realizamos seguidamente, divididos em quatro grupos, o peddy papper “Guimarães historical center”, atividade de enorme regozijo para os alunos e professores participantes. Esta atividade acrescentou um maior conhecimento sobre a histórica e monumental cidade de Guimarães.

Na sexta-feira, último dia de atividades, o grupo passou o dia na escola, os docentes voltando aos trabalhos inerentes ao projeto, definindo conjuntamente as tarefas e programação das atividades pedagógicas até maio, data da próxima mobilidade em Itália.

O dia abriu para os alunos com um workshop de ilustração dinamizado pela docente Márcia Moreira e que permitiu aos alunos ilustrar um painel dedicado ao livro “O rapaz do pijama às riscas”. Os alunos participaram no fórum de discussão do eTwinning, intitulado “Book versus movie”.

Mais tarde, o grupo teve oportunidade de visitar o bloco C3 e aí assistir à atuação da “Banda (ainda) sem nome”, sempre cativante e que maravilhou os nossos parceiros estrangeiros. Tiveram ainda oportunidade de conhecer em detalhe o projeto “Sim, somos capazes”, através de uma breve apresentação por parte do seu responsável, o professor Luís Baião.

Os docentes tiveram ainda mais uma experiência memorável, desta vez de caráter gastronómico, participando num workshop de culinária, dinamizado pelos docentes Liliana Soares e José Cruz, acompanhados pelos inexcedíveis alunos do curso profissional de Restauração e Bar. Apresentaram a receita do prato “Bacalhau à Brás” ao grupo de docentes e acompanharam-no na confeção do mesmo no decurso do workshop. Este viria a ser, aliás, o prato a ser servido para o almoço do grupo e que foi do agrado de todos. Um momento cultural de enorme descontração, entusiamo e convívio.

O dia ficaria encerrado com as tarefas programadas para a equipa de docentes e com a conclusão do painel de ilustração elaborado pelos alunos, com respetiva afixação no miniauditório da biblioteca escolar.

O dia de sábado, data de partida de todas os parceiros para os respetivos países, mostrou-se muito emotivo, pois ao longo da semana, como facilmente se percebeu, foram criados fortes laços de amizade entre alunos portugueses e estrangeiros e entre as respetivas famílias. Prendas, convites para visitas ao estrangeiro e promessas de amizade para o resto da vida marcaram este dia de despedida e encerramento da mobilidade.

O Erasmus é mais do que uma viagem: é cultura, intercâmbio, aprendizagem e amizade!  Como diz Pessoa, tudo vale a pena quando a alma não é pequena. E neste intercâmbio prezaram-se os valores fundamentais da condição e humana. Podemos dizer que entramos no intercâmbio e saímos dele diferentes e melhores.

Um agradecimento especial a todos os nossos colaboradores – que foram muitos e de modo incondicional – que deram o seu suporte para o êxito desta mobilidade, permitindo que esta tenha sido um momento único, inesquecível e marcante para todos que nela participaram.

Muito obrigado!

Augusto Oliveira

Coordenador do Projeto Erasmus KA229 “School libraries promoting readers, values, literacies, skills and inclusion”

A vida é (terrivelmente) bela

Após mudar-se para a Toscânia, quando a 2.ª Guerra Mundial já se fazia sentir, Guido Orefice conhece acidentalmente a sua futura esposa Dora. Passado algum tempo e depois de várias peripécias, voltamos a encontrar Guido, feliz com a sua livraria de sonho e uma família (Dora e o filho de ambos, Giosué). No entanto, o Holocausto atinge gigantescas dimensões. Sendo assim, a felicidade desta família judaica acaba num ápice ao ser levada para um campo de concentração. Uma vez separados, o pai fica encarregue de manter a ingenuidade do filho quanto à realidade, mostrando-lhe que, de facto, a vida é bela.

Com sete Óscares, o filme “A vida é bela” retrata, com perfeição, o amor de um pai que tenta proteger incansavelmente o seu filho dos horrores do Holocausto. Para isso, Guido mantém sempre o seu sorriso, quebra as regras impostas e aguenta todos os trabalhos exigidos pelos nazis. Todas estas ações mostram o quanto o personagem é forte física e mentalmente. Para além de todos os jogos e artimanhas que Guido cria para proteger Giosué, o que realmente torna o filme original, positivamente ímpar e o destaca dos demais filmes que também retratam esta tenebrosa fase da humanidade é a comédia. (A comédia raramente está presente em filmes sobre o Holocausto.) Todas as cenas de comédia clareiam o ambiente e passam a verdadeira mensagem do filme: a vida é terrivelmente bela.

Mesmo assim, ainda tenho um aspeto a apontar: a história embeleza demais o que foram realmente os campos de concentração. No filme, as personagens quebram facilmente as regras, o que era impossível na realidade.

Para concluir, gostava de recomendar o filme. Na minha opinião, todos devem aproveitar uma boa obra cinematográfica. “A vida é bela” é um filme emotivo e cativante que deve ser visto com respeito por todos nós, que, ao longo da vida, temos de lidar com pesadelos de diferentes dimensões.

Sofia Barbosa (8.º A)

PROJETO O CINEMA CHAMA POR TI!

 

UM FILME PARA ALUNOS ADULTOS

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”

(citado do “Livro dos conselhos”, de El-Rei Dom Duarte)

                                                                          José Saramago

No dia vinte e três de maio, no âmbito do Projeto O Cinema Chama Por Ti! em parceria com a Biblioteca Escolar e o ProjetoNa Senda dos Contos, realizou-se uma sessão de cinema, especialmente preparada para os alunos do 12º ano.

Pretendia-se que os alunos tivessem acesso a uma outra obra de José Saramago para além daquela que atualmente faz parte do currículo do 12º ano, de leitura obrigatória – “O Ano da Morte de Ricardo Reis”. A coordenadora do referido projeto, Cristina Freitas, selecionou Blindness, um filme baseado no “Ensaio sobre a cegueira”, que em 2008 foi produzido pelo Japão, Brasil e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles.

Na sequência do visionamento do filme, os alunos foram desafiados a escrever uma apreciação crítica, no sentido de os estimular a olhar para a tela de uma forma mais profunda e reflexiva. Além disso, porque ver um filme não é a mesma coisa que ler um livro, a coordenadora decidiu entregar um prémio, o livro que deu origem ao argumento do filme exibido, ao aluno que escrevesse a melhor apreciação crítica.

O vencedor deste desafio foi o aluno Luís Barreiros,da turma 12º A, cujo texto transcrevemos:

Baseado num romance de José Saramago com o mesmo título, “Ensaio sobre a cegueira” apresenta uma realidade em que uma cegueira, branca e aparentemente incurável, se propaga como uma epidemia. Abrindo o festival de cinema de Cannes, este filme inclui as representações de Julianne Moore e Mark Ruffalo sob a direção de Fernando Meirelles.

O enredo começa a desenvolver-se à medida que a cegueira se vai propagando e a comunidade médica, os dirigentes políticos e a sociedade em geral vão ficando progressivamente mais receosos. Em consequência desse receio, os primeiros doentes são postos em quarentena num velho hospital psiquiátrico abandonado e deixados sem qualquer auxílio externo. Contudo, junto dos pacientes cegos, encontra-se a esposa de um oftalmologista que, ao contrário do marido, não ficara cega. A situação no hospital complica-se após a chegada de mais doentes, provocando momentos de grande tensão, violência e exploração dos doentes mais frágeis. É nesses momentos que a representação dos atores se torna única e realista.

Na minha opinião, o visionamento deste filme é imperdível, pois reflete sobre a cegueira não só física, mas também, e sobretudo, sobre a cegueira social, de valores e de consciência.