Arquivo mensal: Novembro 2018

Somos livres ou determinados?

   

“Se a pedra lançada tivesse consciência do seu movimento, e da sua tendência a perseverar no movimento, julgar-se-ia livre, na medida em que ignoraria o impulso que produziu o seu movimento, que determinou de uma certa maneira a sua faculdade de estar em movimento ou em repouso”.

Espinosa

 

Sabemos que Espinosa é um determinista radical, pois não concorda que haja, de facto, livre-arbítrio. Outros filósofos defendem outras posições: os libertistas defendem o livre-arbítrio e os deterministas moderados ou os compatibilistas defendem o compatibilismo do determinismo e do livre-arbítrio. Mas qual deles, afinal, tem razão? Eu penso que todos têm um ponto de vista e todos merecem ser respeitados, mas também contrariados.

Sabemos que um determinista radical defende que o ser humano não é mais que um ser no meio da natureza, um ser que já está determinado e que não pode fazer nada para o evitar. Para Espinosa, o ser humano até é comparado a uma pedra, demonstrando-nos assim que um determinista radical acredita que um ser humano não é mais do que um objeto no meio de muitos, como as pedras e os animais.

Eu não concordo com os deterministas radicais mas também não concordo com os libertistas. Os libertistas, para contrariar os deterministas radicais, recordam o facto de o ser humano ter consciência e liberdade para escolher as suas ações. É uma boa objeção, mas não acredito que seja o suficiente para contrariar um verdadeiro determinista radical.

Cada um tem o seu ponto de vista e cada um tem razão naquilo que diz. Eu acredito que estamos determinados, mas também temos liberdade para escolher. Eu não sou determinista radical, pois nunca vou comparar um homem a uma pedra; apesar de tanto a pedra como o homem terem um papel muito importante na natureza, os dois são muito diferentes, pois ao contrário da pedra, o homem tem consciência dos seus atos e das suas ações, antes e depois de as fazer.

Em suma: nós devemos ter liberdade o suficiente para escolher o que somos, porque se pensarmos bem, no final de contas, nós podemos escolher ser determinados ou determinar o nosso futuro. Para escolher se somos deterministas radicais, compatibilistas, ou libertistas, temos de ver o que está na nossa natureza, ver todas as opções e escolher aquela que para nós é a que faz mais sentido. Mas, antes de escolher, temos que analisar cada opção o melhor que conseguirmos, que é para mais tarde não nos arrependermos de ter escolhido a corrente errada. Admiro muito cada corrente, admiro a sabedoria de cada filósofo das diferentes correntes, pois realmente é muito difícil conseguir defender uma corrente com tantas objeções que por vezes até fazem sentido, mas o filósofo mantém a sua ideia e não a vai mudar por nada e eu penso que isso é mais importante que qualquer outra coisa.

Francisco Rocha, 10.º A, n.º 11.

E se Vieira pregasse, hoje, aos peixes!?

Peixes, venho falar-vos, agora, de um outro problema.

Jonas foi, mandado por Deus, à cidade de Nínive para profetizar a destruição dessa próspera cidade. E porquê, peixes? Era Nínive uma cidade de grande crueldade e violência, e isto descontentava Deus.

Passaram-se anos, o Império Assírio caiu, levando consigo a cidade de Nínive; mas, se olharem para o mundo, amigos peixes, toda a Terra aparenta ter-se tornado por completo nesta antiga cidade. A crueldade desta transformou-se na crueldade do mundo.
Os homens tratam-se uns aos outros sem qualquer respeito nem consideração: usam palavras, atacam-se e insultam-se. Quando estas não asseguram a vitória de um e a derrota do outro, erguem-se os punhos, agarram-se em armas e parte-se para a guerra.
O pior, peixes, é que os homens se atacam simplesmente devido ao gosto pela destruição. O que ainda piora mais este hábito dos homens, é que atacam os inocentes, aqueles que nada têm a ver com os conflitos.

Perdoou Deus Nínive, mas esta era uma só cidade e mostrou-se arrependida pelos seus atos. Encontrando-se todo o mundo como esta capital e sem haver qualquer tipo de ressentimento pelas suas ações, poderá isto Deus perdoar? 

Leonardo Alves 11.º B n.º 13

 

Olhai, peixes, para esse vosso irmão, o tubarão-raposo-olhudo: com uma cauda gigantesca, com tanta grandeza e força. E para que a usa? Para atacar, de forma inesperada, os inocentes dos cardumes que, fugindo da boca e dos dentes, são apanhados, chicoteados e atordoados pela grande cauda deste animal.

E nos homens o mesmo acontece. Aqueles que na terra possuem, tal como este tubarão, superior força e grandeza, levantam a sua cauda de poder para rebaixar os mais fracos.

É tal a violência entre os homens que, quando olhais para a Terra, encontrais facilmente caudas erguidas, não só a cardumes, mas também a peixes indefesos. Atingem-se os homens para ganhar poder, para assumir a sua superioridade, para tentar mostrar que as suas escolhas e opiniões são as únicas corretas.

Estes tubarões da Terra cometem um crime ainda maior. Não se atacam para se alimentar, mas sim para alimentar a sua violência. Para piorar toda esta situação, peixes, existem ainda os homens que usam o nome de Deus para justificar sua maldade.

Digo-vos então, peixes, que vos prepareis pois, como já aconteceu pela morte de vossas irmãs baleias, o mar certamente voltará a tornar-se escarlate, quando a fúria dos homens os fizer derramar o seu próprio sangue.

Érica Castro 11.º B n.º 7

CICLO DE CINEMA

O Cinema Chama Por Ti!

Hoje recebemos a visita de um grupo de crianças do JI de Ribes na nossa Biblioteca Escolar! Ouviram atentamente a história “A Que Sabe a Lua”, de Michael Grejniec, contada por alunos da turma 10ºA e, seguidamente, responderam a algumas questões com muito entusiasmo! E a viagem à lua, imbuída de sonhos e cores resplandecentes, prosseguiu com a curta-metragem “A Lua”, de Enrico Casarosa. Fascinados com a magia da animação, pediram para a ver novamente…

 

Centenário do Armistício

A nossa Escola está a assinalar o centenário do Armistício que pôs fim à I Guerra Mundial (11.11 1918). O painel do átrio da Escola está recheado de imagens através das quais revisitamos esta Guerra: o novo armamento e a preparação para a guerra, o contexto em que se desenrolou, o quotidiano dos soldados nas trincheiras, os ecos da guerra na imprensa e a importância do desenho satírico, a participação portuguesa e os custos da mesma são algumas das temáticas a que se procurou dar visibilidade. Esta atividade, dinamizada pelo Grupo de História, pretende dar sentido às aprendizagens e levar os alunos a refletirem e consciencializarem os valores da paz. O estudo da I Guerra Mundial ajuda a compreender como o dever de memória pode alicerçar uma cultura de paz.  Esta evocação assume, por isso mesmo, relevância no âmbito da educação histórica e da educação para a cidadania.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Sessão literária com a escritora Cristina Carvalho

 

É já no próximo dia 26, segunda-feira, que vamos receber na nossa escola a escritora Cristina Carvalho, autora da obra “O gato de Uppsala”.
Cristina Carvalho nasceu em Lisboa, a 10 de novembro de 1949 e é filha da escritora Natália Nunes e do professor e poeta Rómulo de Carvalho, António Gedeão. 
Alguns dos seus romances estão integrados no Plano Nacional de Leitura. Com a obra “O Olhar e a Alma, romance de Modigliani”, obteve o Prémio SPA/RTP 2016. Publicou já dezoito livros, em editoras distintas.
Durante a sua atividade profissional, contactou com milhares de pessoas e visitou inúmeros países sendo a Escandinávia e o Oeste português as regiões que mais ama e que mais influência exercem sobre a sua personalidade e a sua escrita.
Publicou nomeadamente: Até já não é adeus, Momentos misericordiosos, Ana de Londres, Estranhos casos de amor, O gato de Uppsala e Nocturno – O romance de Chopin. Em 2011, a Sextante publicou também Lusco-fusco.
O seu romance O Olhar e a Alma venceu o Prémio Autores 2016 para o Melhor Livro de Ficção Narrativa. Este mês publicou o romance biográfico “A Saga de Selma Lagerlöf” e, sobre o mesmo, afirma que “foi escrito em golfadas, em horas imprecisas do dia ou da noite; não obedeceu a nenhuma rotina disciplinada. Como em todos os atos de paixão, fui sobrevivendo em equilíbrios improváveis. Conheci regiões que jamais imaginei conhecer, reconheci a vida desta pessoa, imaginei-a com a possível intimidade. Julguei, muitas vezes, ouvi-la. O conhecimento dessa vida foi como o silvo das auroras boreais ou como o zurzir do relâmpago na noite profunda.»
A biblioteca agradece aos alunos e professores a sua prestimosa colaboração e todo o trabalho literário e criativo na preparação da visita da escritora.